Variação linguistica e pluricentrismo

Painel temático en CILX2018

Coordenador

Augusto Soares da Silva (UCP-Braga)
assilva@braga.ucp.pt

Resumo

Apesar da longa e rica tradição de investigação sobre variação linguística, os estudos sobre línguas pluricêntricas são ainda reduzidos. O pluricentrismo linguístico é um caso especial de variação intralinguística, marcado por questões de identidade e poder nacionais. Há mais de duas décadas, Clyne (1992) editava o volume coletivo Pluricentric Languages, nele reunindo dados sobre um conjunto representativo de línguas pluricêntricas espalhadas pelo mundo. Desde então, a base para o estudo das variedades nacionais tem passado de um modelo “desvio do centro” para um modelo “vários centros interativos” ou pluricêntrico. Na última década, a sociolinguística cognitiva tem explorado os fatores conceptuais e sociais que determinam a variação do significado na variação linguística, com destaque para a variação pluricêntrica, bem como o significado dessa variação na mente dos falantes (e.g. Kristiansen & Dirven 2008, Geeraerts et al. 2010, Soares da Silva 2014). O estudo das variedades não-dominantes das línguas pluricêntricas tem sido desenvolvido, nos últimos anos, pelo grupo internacional WGNDV (Muhr 2012, 2015).

Este painel temático pretende contribuir para o desenvolvimento dos estudos sobre pluricentrismo linguístico em relação e como caso especial da variação intralinguística (geográfica, social e estilística) e tendo como base descritiva o português, o galego e o espanhol. O painel congrega a tradição da sociolinguística variacionista, a perspetiva da sociolinguística cognitiva e outras abordagens da variação linguística. Serão analisadas questões como o contínuo entre variação monocêntrica e variação pluricêntrica (em particular, a ideia de que todas as línguas são, até certo ponto, “pluricêntricas”, na medida em que contêm variação dialetal e diferentes normas locais); a relação entre variação linguística, cultura e cognição; pluricentrismo, contacto de línguas e mudança linguística; o desenvolvimento de métodos empíricos avançados de análise da multidimensionalidade da variação linguística e da correlação entre fatores conceptuais, sociais e estruturais; cálculos de convergência e divergência entre variedades e de estratificação interna de variedades; dialetometria, socioletometria e estilometria; perceção da variação linguística e atitudes para com variedades nacionais e locais, incluindo variedades não-dominantes e estigmatizadas; pluricentrismo, estandardização e ideologia; pluricentrismo, lusofonia e hispanofonia; codificação linguística monocêntrica, pluricêntrica e supranacional; políticas de língua multilaterais. Serão apresentados estudos de caso sobre o português, o galego e o espanhol.

Referências

Clyne, Michael (ed.) (1992). Pluricentric Languages. Differing Norms in Different Nations. Berlin & New York: Mouton de Gruyter.

Geeraerts, Dirk, Gitte Kristiansen & Yves Peirsman (eds.) (2010). Advances in Cognitive Sociolinguistics. Berlin & New York: Mouton de Gruyter.

Kristiansen, Gitte & René Dirven (eds.) (2008). Cognitive Sociolinguistics: Language Variation, Cultural Models, Social Systems. Berlin & New York: Mouton de Gruyter.

Muhr, Rudolf (ed.) (2012). Non-Dominant Varieties of Pluricentric Languages. Getting the Picture. Frankfurt & Wien: Peter Lang.

Muhr, Rudolf & Dawn Marley (eds.) (2015): Pluricentric Languages: New Perspectives in Theory and Description. Frankfurt & Wien: Peter Lang.

Soares da Silva, Augusto (ed.) (2014). Pluricentricity: Language Variation and Sociocognitive Dimensions. Berlin & Boston: Mouton de Gruyter.